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vendredi 7 novembre 2008

Carta de Maputo - Declaração final da conferencia internacional da Via Campesina

Maputo, Moçambique, 19-22 de Outubro, 2008

O mundo inteiro está em crise.

Uma crise multi-dimensional. De alimentos, de energia, de clima e de finanças. As soluções que o poder propõe – mais livre comércio, sementes transgênicas, etc – ignoram que a crise resulta do sistema capitalista e do neoliberalismo, e somente aprofundarão seus impactos. Para encontrar soluções reais, temos que olhar para a Soberania Alimentar que propõe a Via Campesina.

Como chegamos na crise?

Nas últimas décadas vimos o avanço do capitalismo financeiro e das empresas transnacionais, sobre todos os aspectos da agricultura e do sistema alimentar dos países e do mundo. Desde a privatização das sementes e a venda de agrotóxicos, até a compra da colheita, o processamento dos alimentos, e seu transporte, distribuição e venda ao consumidor, tudo já está em mãos de um número reduzido de empresas. Os alimentos deixaram de ser um direito de todos e todas, e tornaram-se apenas mercadorias. Nossa alimentação está senso homogenizada em todo mundo, com alimentos de má qualidade, preços que as pessoas não podem pagar, e as tradições culinárias de nossos povos estão se perdendo.

Também vemos uma ofensiva do capital sobre os recursos naturais, como nunca se viu desde os tempos coloniais. A crise da margem de lucro do capital os lança numa guerra de privatização que que os leva nos expulsar, camponeses, camponesas, comunidades indígenas, roubando nossa terra, territórios, florestas, biodiversidade, água e minérios. Um roubo privatizador. Os povos rurais e o meio ambiente estão sendo agredidos. O semeio de agrocombustíveis em grandes monocultivos industriais também é razão dessa expulsão, falsamente justificada com argumentos sobre crise energética e climática. A realidade detrás destas últimas facetas da crise tem muito mais ver com a atual matriz de transporte de longa distância dos bens, e individualizado em automóveis, do que com qualquer outra coisa.

Com a crise dos alimentos e com a crise financeira, a situação torna-se mais grave. A mesma crise financeira e a crise dos alimentos estão vinculados à especulação do capital financeiro com os alimentos e a terra, em detrimento das pessoas. Agora, o capital financeiro está desesperado, assaltando os erários públicos para seus resgates, os quais obrigarão ainda mais os países a farem cortes orçamentários, condenado-as a maior pobreza e maior sofrimento. A fome no mundo segue a passos largos. A exploração e todas as violências, em especial a violência contra a mulher, espalham-se pelo mundo. Com a recessão econômica nos países ricos, aumenta a xenofobia contra os trabalhadores e trabalhadoras migrantes, com o racismo tomando grandes proporções e com o aumento da repressão. E com o jovens tendo cada vez menos oportunidades no campo. Isso é o que o modelo dominante oferece.

Ou seja, tudo vai de mal a pior. Contudo, no seio da crise, as oportunidades se fazem presentes. Oportunidades para o capitalismo, que usa a crise para se reinventar e encontrar novas formas de manter suas taxas de lucro, mas também oportunidades para os movimentos sociais, que defendemos a tese de que o neoliberalismo perde legitimidade entre os povos, e que as instituições financeiras internacionais (Banco Mundial, FMI, OMC) estão mostrando sua incapacidade de administrar a crise ( além de serem parte dos motivos da crise), criando a possibilidade que sejam desarticuladas e que outras instituições reguladoras a economia global surjam e que atendam outros interesses. Está claro que as empresas transnacionais são os verdadeiros inimigos. São os que estão por trás de tudo. Está claro que os governos neoliberais não atendem aos interesses dos povos. Também está claro que a produção mundial de alimentos controlada pelas empresas transnacionais , não se faz capaz de alimentar o grande contingente de pessoas neste planeta, enquanto que a Soberania Alimentar baseada na agricultura camponesa local, faz-se mais necessária do que nunca.

O que defendemos na Via Campesina frente a esta realidade?

* A soberania alimentar: Renacionalizar e tirar o capital especulativo da produção dos alimentos é a única saída para a crise dos alimentos. Somente a agricultura camponesa alimenta os povos, enquanto o agronegócio produz para a exportação e sua produção de agrocombustíveis é para alimentar os automóveis, e não para alimentar gente. A Soberania Alimentar baseada na agricultura camponesa é a solução para a crise.

* Frente às crises energéticas e climáticas: a disseminação de um sistema alimentar local, que não se baseia na agricultura industrial nem no transporte a longa distância, eliminaria até 40% das emissões de gases de efeito estufa. A agricultura industrial aquece o planeta, em quanto a agricultura camponesa desaquece.

Uma mudança no padrão do transporte humano para um transporte coletivo e outras mudanças no padrão de consumo, são os passos a mais, necessários para enfrentarmos a crise energética e climática.

* A Reforma Agrária genuína e integral, e a defesa do território indígena são essenciais para reverter o processo de expulsão do campo, e para disponibilizar a terra para a produção de alimentos, e não para produzir para a exportação e para combustíveis.

* A agricultura camponesa sustentável: somente a produção camponesa agroecológica pode desvincular o preço dos alimentos do preço do petróleo, recuperar os solos degradados pela agricultura industrial e produzir alimentos saudáveis e próximos para nossas comunidades.

* O avanço das mulheres é o avanço de todos: o fim de todos os tipos de violência para com as mulheres, seja ela, física, social ou outras. A conquista da verdadeira paridade de gênero em todos os espaços internos e instâncias de debates e tomada de decisões são compromissos imprescindíveis para avançar neste momento como movimentos de transformação da sociedade.

* O direito à semente e à água: a semente e a água são as verdadeiras fontes da vida, e são patrimônios dos povos. Não podemos permitir sua privatização, nem o plantio de sementes transgênicas ou de tecnologia terminator.

* Não à criminalização dos movimentos sociais. Sim à declaração dos Direitos dos Camponeses e Camponesas na ONU, proposta pela Via Campesina. Será um instrumento estratégico no sistema legal internacional para fortalecer nossa posição e nossos direitos como camponeses e camponesas.

* A juventude do campo: É necessário abrir, cada vez mais, espaços em nossos movimentos para incorporara força e a criatividade da juventude camponesa, com sua luta para contruir seu futuro no campo.

* Finalmente, nós produzimos e defendemos os alimentos para todos e todas.

Todos e todas participantes da V Conferência da Via Campesina nos comprometemos coma defesa da agricultura camponesa, com a Soberania Alimentar, com a dignidade, com a vida. Nós colocamos à disposição do mundo as soluções reais para a crise global que estamos enfrentando hoje. Temos o direito de continuarmos camponeses e camponesas, e temos a responsabilidade de alimentar nossos povos.

Aqui estamos, nós os camponeses e camponesas do mundo, e nos negamos a desaparecer.

Soberania Alimentar JÁ! Com a luta e a unidade dos povos!

Globalizemos a luta! Globalizemos a esperança!

Declaração da III Assembléia das mulheres da Via Campesina

Quarta-feira 22 de Outubro de 2008

Reunidas em Maputo Moçambique no marco da V conferencia Internacional de la Via Campesina as mulheres do campo de diferentes continentes, realizamos nossa III Assembléia Mundial. Nos encontramos com a alegria em compartilhar o carinho das companheiras, a riqueza de nossas culturas diversas e a beleza das mulheres da África, Ásia, Europa e das Américas.

Mulheres com histórias e lutas comuns pela vida, pela terra, pelos territórios, pela Soberania Alimentar, pela justiça, pela dignidade. Mulheres que compartilhamos saberes e experiências, convencidas que as idéias, como as sementes, quando são intercambiadas crescem e multiplicam-se.

Somos mulheres que ao longo da história têm lutado contra a violência. Lutadoras que defenderam e continuam defendendo nossos territórios e culturas do saqueio, da devastação e da morte perpetradas por quem nos impuseram seu poderes desde os tempos coloniais, e hoje continuam tentando colonizar não só nossos territórios, como também nossas mentes e nossas vidas

Como mulheres, reclamamos o respeitos de todos nossos direitos, rejeitamos o sistema patriarcal, e todas suas expressões descriminatórias; e nos reafirmamos no exercício pleno da participação cidadã. Exigimos nosso direito a uma vida digna; o respeito a nossos direitos sexuais e reprodutivos; e a aplicação imediata de medidas para erradicar toda forma de violência física, sexual, verbal e psicológica; como também exigimos a eliminação de práticas de feminicídio que ainda persistem.

Denunciamos que os processos migratórios, particularmente o das mulheres, estão estreitamente relacionados com o empobrecimento e a violência social e de gênero no campo. Os deslocamentos das mulheres para centros de produção empresarial, o tráfico de mulheres para enriquecer a indústria do entretenimento, assim como as expulsões das mulheres das terras produtivas, conjuram contra a permanência e meios de sustento das comunidades camponesas e contra a Soberania Alimentar.

Reafirmamos que denunciar a descriminação contra as mulheres, implica em reconhecer que, embora o sistema patriarcal capitalista e o machismo tenham existência histórica, o modelo neoliberal acirra as condições de descriminação e aumenta as situações de violência contra mulheres e meninas nas zonas rurais. Por tanto na luta anti-neoliberal, deve-se seguir paralelamente com a luta pela igualdade de gênero, a não descriminação das mulheres e o combate sem um minuto de vacilo contra todas as formas de violência doméstica que sofrem as mulheres.

Reconhecemos que todas as mulheres sofremos a discriminação, contudo, nem todas mulheres são discriminadas igualmente. Não é a mesma coisa ser mulher dentro da parcela dos 20% mais ricos do que ser mulher da parcela mais pobre; não é a mesma coisa ser empresária que ser trabalhadora; ser jovem, adulta ou mais velha; ser branca, negra, mestiça ou indígena; ser urbana ou ser rural.

Nós mulheres sofremos discriminação de classe, gênero, étnica, sexual, estética, entre outras. Esta complexidade deve ser assumida não só como expressão política para denunciar a discriminação, mas também como perspectiva para construir um novo tipo de sociedade. Acreditamos que uma sociedade diferente com outros tipos de relações de gênero é possível. Um outro mundo é possível agora

A globalização e o resultado da divisão do trabalho está baseada na questão do gênero onde as mulheres ocupam setores de produção internacionalizados, tais como no agronegócio, nas maquila do México, América ou ásia, ou o turismo sexual

Para conquistar a Soberania Alimentar como mulheres da VC nos comprometemos a lutar conjuntamente por uma Reforma Agrária integral, para eliminar todas as formas de violência que são geram nos modos de produção capitalistas. E que causam as crises dos alimentos no mundo, a mudança climática, o avanço dos monocultivos, os transgênico e os agronegócios.

Estas expressões incluem: - aumento da fome e das enfermidades graves e mortais;
aumento significativo da pobreza e aumento da lacuna entre ricos e pobres;
violação dos direitos humanos e repressão política;
mercantilização e privatização da natureza e das terras agrícolas tradicionais, levando os povos indígenas, camponesas e camponeses a deslocamentos e migrações forçadas;
privatização e contaminação da água e do ar;
extração incessante de minerais e a destruição, a apropriação e a concentração da terra produtiva;
perda dramática da biodiversidade e destruição dos bosques;
destruição das tradições, conhecimentos e métodos de produção camponesa;
mudanças climáticas imprevisíveis que destroem os cultivos;
perda do controle das sementes pelas camponesas e camponeses, e sua a apropriação pelas empresas transnacionais, resultando na perda de alimentos culturalmente apropriados, e
incremento dos preços dos alimentos básicos sem que eles beneficiem a camponesas e camponeses, nem a pequenas agricultoras e pequenos agricultores.

A luta contra a violência contra as mulheres começa em nossos corações e em nossas consciências. Para acabar com todas as formas de violência é necessário nosso esforços em nos unirmos na luta e em nosso compromisso para construir uma sociedade mais justa. Unamos nossas vontades para construir um mundo sem violência, começando por construir uma mulher nova e um homem novo.

Nós mulheres da VC continuaremos construindo um mundo cheio de vida, de justiça, e igualdade. Nesta 3a. Assembléia Mundial das Mulheres conclamamos a todos os membros, de todas as partes do mundo, mulheres e homens, a assumir esta luta. Pela vida e pela Soberania Alimentar. Basta e violência contra as Mulheres do campo. Já. GLOBALIZEMOS A LUTA GLOBALIZEMOS A ESPERANÇA

Globalize Struggle!

Maputo, Otubro de 2008

Declaration of the III Assembly of the Women of the Via Campesina

Wednesday, 22 October 2008

Meeting in Maputo, Mozambique on the occasion of the V International Conference of the Via Campesina we the women of the countryside from different continents have held our III Worldwide Assembly of Women. We find ourselves surrounded by the happiness of sharing, the affection of our compañeras, the richness of our diverse cultures and the beauty of the women of Africa, Asia, Europe and the Americas.

We are women with a history and common struggles for life, land and territory, food sovereignty, justice and dignity: we are women who share knowledge and experiences, convinced that ideas, like seeds, grow and reproduce when they are exchanged. We are women who have struggled against violence across history, fighters who continue to defend our territories and cultures from pillage, devastation and death perpetrated by those who have imposed their power since the time of colonialism, and today continue trying to colonize not only our territories but also our minds and our lives. As women, we reclaim the respect of all of our rights and reject the patriarchal system and all its discriminatory expressions. We reaffirm the full exercise of citizen engagement. We claim our right to a dignified life, respect for our sexual and reproductive rights, the immediate application of means to eradicate all forms of physical, sexual, verbal and psychological violence, as well as the elimination of the practice of female murder (feminicide) that still persists.

We denounce the fact that the process of migration, especially for women, is strongly related to impoverishment and social and gender violence in the countryside. Displacements of women toward centers of corporate production, the trafficking of women to support entertainment industries, and the expulsions of women from productive lands conspire against the permanence and maintenance of rural communities and against food sovereignty.

We reaffirm the fact that the denunciation of discrimination against women implies recognizing that although the patriarchal system and machismo have existed historically, the neo-liberal model deepens the conditions of discrimination and increases the situations of violence against women and girls in rural areas. Moreover, the anti-neo-liberal struggle must be fought on a par with the struggle for gender equity, non-discrimination against women and the unceasing combat against all forms of violence in the countryside and in particular the domestic violence suffered by women.

We recognize that all women suffer discrimination; nevertheless not all women are discriminated against equally. It is not the same thing being among the 20% richest or being poor; it is not the same being a worker or being a businesswoman; being young, adult or elderly; being white, black, mestizo or indigenous; being urban or rural.

Women suffer discrimination of class, gender, ethnicity, sex, aesthetics, among others. This complexity is necessary to be assumed both as a political expression for the denunciation of discrimination, as well as from a perspective seeking a different kind of society, believing that if another world is possible, other kinds of gender relationships are also possible.

Under the neo-liberal model of globalization, the current international division of labor is also structured as a sexual division of labor. Women are concentrated in sectors of internationalized production, such as in certain branches of agribusiness, in the maquilas of Mexico, Central America or Asia, and in the sexual tourism of the South.

In order to achieve food sovereignty as women of the Via Campesina we commit ourselves to struggle together to get comprehensive agrarian reform in order to eliminate all forms of violence generated by capitalist modes of production, and that have caused the global food crisis, climate change, the advance of monocultures, GMOs and agribusiness.

These forms of violence include:

Increased hunger and famine and grave mortal illness

Significant increase in poverty and an increase in the gap between rich and poor

Violations of human rights and political repression

Mercantilization and privatization of nature and traditional agricultural lands, leading to displacement and forced migration of Indigenous Peoples and family farmers

Privatization and contamination of water and air

Incessant extraction of minerals and the destruction, appropriation and concentration of productive lands

Dramatic loss of biodiversity and the destruction of forests

Destruction of traditional farming methods and knowledge

Unpredictable weather patterns that destroy crops

Loss of control of seeds by family farmers and their appropriation by transnational corporations, resulting in the loss of culturally appropriate foods, and

Basic food price increases, with no benefits to family farmers or peasants

Putting an end to these forms of violence that neo-liberal capitalism generates requires our effort and unity in struggle, and our commitment to the construction of a more just society.

The struggle against violence toward women begins in our hearts and consciences. Let us unify our wills to build a rural world without violence, starting with the creation of a new woman and man.

The women of the VC will continue to build a rural world that is full of life, and is just, equitable and in solidarity, on the way to food sovereignty. In this 3rd International Assembly of the women of VC we urge all members, from all parts of the world, both men and women, to join in this struggle. For life and food sovereignty, stop the violence against rural women now!

Globalize Hope!

Globalize Struggle!

Maputo, October 2008

Déclaration de la IIIe Assemblée des Femmes de LVC

Réunies à Maputo, Mozambique, dans le cadre de la Ve Conférence Internationale de La Via Campesina, nous, femmes des campagnes de tous les continents, avons réalisé notre IIIe Assemblée Mondiale des Femmes, dans la joie de partager l’affection de nos camarades, la richesse de nos cultures diverses et la beauté des femmes d’Afrique, d’Asie, d’Europe et des Amériques.

Nous sommes des femmes avec des histoires et des luttes communes pour la vie, la terre et les territoires, la Souveraineté alimentaire, la justice et la dignité. Des femmes qui partagent savoirs et expériences, convaincues que les idées, comme les semences, grandissent et se multiplient lorsqu’elles sont échangées. Des femmes qui ont lutté contre la violence tout au long de l’histoire, combattantes qui ont défendu et qui continuent à défendre nos territoires et nos cultures contre le pillage, la dévastation et la mort perpétrés par ceux qui ont imposé leur pouvoir depuis le temps des colonies et qui continuent aujourd’hui à essayer de coloniser non seulement nos territoires mais aussi nos esprits et nos vies.

En tant que femmes, nous réclamons le respect de tous nos droits, nous refusons le système patriarcal et toutes ces expressions discriminatoires ; et nous nous réaffirmons dans le plein exercice de la participation citoyenne. Nous exigeons notre droit à une vie digne ; le respect de nos droits sexuels et reproductifs ; la mise en œuvre immédiate de mesures pour éradiquer toute forme de violence physique, sexuelle, verbale et psychologique ainsi que nous exigeons l’élimination des pratiques de féminicide qui persistent encore.

Nous dénonçons le fait que les processus migratoires, particulièrement ceux des femmes, sont étroitement liés à l’appauvrissement et la violence sociale et de genre dans les campagnes. Les déplacements des femmes vers les centres de production, le trafic des femmes pour enrichir le commerce du plaisir, ainsi que les expulsions des femmes des terres productives, sont en

Nous réaffirmons que dénoncer la discrimination envers les femmes implique la reconnaissance que si le système patriarcal et le machisme existent bien historiquement, le modèle néolibéral a aggravé les conditions de discrimination et accru les situations de violence envers les femmes et les filles en milieu rural. C’est pourquoi la lutte anti-néolibérale va de pair avec la lutte pour l’égalité de genre, la non-discrimination des femmes et le combat sans relâche contre toutes les formes de violence dans les campagnes et notamment les violences domestiques dont souffrent les femmes.

Nous reconnaissons que nous toutes souffrons de discrimination, cependant toutes les femmes ne subissent pas la discrimination de la même manière. Ce n’est pas la même chose d’être une femme appartenant aux 20% les plus riches de la population et être une femme pauvre ; ce n’est pas la même chose d’être ouvrière ou entrepreneuse ; être jeune, adulte ou âgée ; être blanche, noire, métisse ou indigène ; être citadine ou rurale.

Dans ce modèle de mondialisation néolibérale, la division internationale du travail actuelle se structure aussi par la division sexuelle du travail. Les femmes se trouvent concentrées dans des secteurs de production contrôlés par les multinationales, comme dans certaines branches de l’agrobusiness, dans les maquilas au Mexique, en Amérique Centrale ou en Asie ou dans le commerce sexuel.

Nous, les femmes, souffrons de discrimination de classe et de genre, de discrimination ethnique, sexuelle, esthétique, entre autres. Cette complexité, nous devons l’assumer dans notre lutte politique pour parvenir à la souveraineté alimentaire et mettre un terme à la discrimination, à l’oppression et à l’exploitation, en suivant une voie qui nous permette d’avancer dans la construction d’une société différente.

Pour parvenir à la souveraineté alimentaire, nous nous engageons, en tant que femmes de LVC, a lutter ensemble pour une réforme agraire intégrale et pour éliminer toutes les formes de violence que génèrent les modes de production capitaliste qui sont à l’origine de la crise alimentaire mondiale, du changement climatique, de l’avancée des monocultures, des OGM et de l’agrobusiness.

Ces expressions de violence incluent :

* Une augmentation de la faim, des famines et des maladies graves et mortelles ;

* Une augmentation significative de la pauvreté et l’agrandissement de l’écart entre les riches et les pauvres ;

* Des violations des Droits de l’Homme et la répression politique

* La marchandisation et la privatisation de la nature et des terres agricoles traditionnelles qui conduisent aux déplacements et aux migrations forcées des Peuples Indigènes, des paysannes et des paysans

* La privatisation et la pollution de l’eau et de l’air

* L’extraction incessante de minerais et la destruction, l’appropriation et la concentration de la terre productive

* La perte dramatique de la biodiversité et la destruction des forêts.

* La destruction des traditions, des connaissances et des méthodes de production paysanne

* Les changements climatiques imprévisibles qui détruisent les cultures

* La perte du contrôle sur les semences des paysans et paysannes et leur appropriation par les entreprises multinationales, conduisant à la perte des aliments culturellement adaptés

* L’augmentation des prix des aliments de base sans que cela ne bénéficie ni aux paysannes et paysannes, ni aux petits agriculteurs.

* En finir avec ces formes de violence que génère le système capitaliste néolibéral exige notre effort et notre unité dans la lutte et notre engagement dans la construction d’une société plus juste.

* La lutte contre la violence envers les femmes commence dans nos cœurs et dans nos consciences et nous unissons nos volontés pour construire un monde rural sans violence, pour construire un homme nouveau et une femme nouvelle.

Nous, femmes de LVC, continuerons à construire un monde rural vivant, juste, solidaire et équitable, fondé sur la souveraineté alimentaire. Au cours de cette IIIe Assemblée Mondiale des Femmes de LVC, nous sommons les membres du monde entier, hommes et femmes, d’assumer cette lutte. Pour la vie et la souveraineté alimentaire, ASSEZ de violence envers les femmes rurales

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Maputo, octobre 2008

Declaración de la III Asamblea de las mujeres de la Via Campesina

En Maputo, Mozambique, a la ocasión de la V Conferencia Internacional de La Vía Campesina, nosotras las mujeres del campo de los diferentes continentes hemos sostenido nuestra III Asamblea de las Mujeres. Nos encontramos con la alegría del compartir, el cariño de las compañeras, la riqueza de nuestras culturas diversas y la belleza de la mujeres de África, Asia, Europa y las América.

Somos mujeres con historias y luchas comunes por la vida, la tierra, los territorios, la Soberanía Alimentaría, la justicia, la dignidad; mujeres que compartimos saberes y experiencias, convencidas que las ideas como las semillas cuando se intercambian crecen y se multiplican. Somos mujeres que hemos luchado contra la violencia a lo largo de la historia, luchadoras, que continuamos defendiendo nuestros territorios y nuestras culturas del saqueo, la devastación y la muerte perpetradas por quienes han impuesto su poder desde el tiempo de la colonia, y que hoy continúan intentando colonizar no sólo nuestros territorios sino también nuestras mentes y nuestras vidas.
Como mujeres reclamamos el respeto de todos nuestros derechos y rechazamos al sistema patriarcal y todas sus expresiones discriminatorias. Nos reafirmamos en el ejercicio pleno de la participación ciudadana. Exigimos nuestro derecho a una vida digna, el respeto a nuestros derechos sexuales y reproductivos, la aplicación inmediata de medidas para erradicar toda forma de violencia física, sexual, verbal y psicológica y la eliminación de prácticas de feminicidio que aún persisten.

Denunciamos que los procesos migratorios, particularmente el de las mujeres, están estrechamente relacionados con el empobrecimiento y la violencia social y de género en el campo así como con desplazamientos de las mujeres hacia los centros de producción empresarial, el tráfico de mujeres para enriquecer el negocio del entretenimient y las expulsiones de las mujeres de las tierras productivas. Todos estos fáctores conjuran contra la permanencia y los medios de sustento de las comunidades campesinas y contra la Soberanía Alimentaría.

Reafirmamos que denunciar la discriminación hacia las mujeres, implica reconocer que si bien el sistema patriarcal y el machismo han existido históricamente; el modelo neoliberal profundiza las condiciones de discriminación y aumenta las situaciones de violencia contra las mujeres y las niñas en las zonas rurales. Por tanto la lucha antineoliberal debe de ir a la par de la lucha por la igualdad de género, la no discriminación de las mujeres y el combate inclaudicable contra todas las formas de violencia en el campo, y en particular la violencia doméstica que sufren las mujeres.

Las mujeres sufrimos discriminación de clase, género, étnica, sexual, estética, entre otras. Creemos que un tipo diferente de sociedad con otro tipo de relaciones de géneros es posible. Otro mundo es posible ahora.

La globalización y la resultante división del trabajo está basada en cuestiones de género, donde las mujeres están concentradas en sectores de producción controlados por las transnacionales, como en determinadas ramas del agro-negocio, las maquilas de México, América Central o Asia, o el turismo sexual.

Para lograr la soberanía alimentaria y la reforma agraria, nos comprometemos a luchar conjuntamente para eliminar todas las formas de violencia que también incluyen las crisis alimentaria, el cambio climático, el avance de los monocultivos, los transgénicos y los agronegocios

Estas expresiones de violencia incluyen::
• aumento del hambre y las hambrunas y de enfermedades graves y mortales
• aumento significativo de la pobreza y el aumento de la brecha entre ricos y pobres
• violaciónes a los derechos humanos y a la represión política
• mercantilización y privatización de la naturaleza y las tierras agrícolas tradicionales, conduciendo al desplazamiento y las migraciones forzadas de los Pueblos Indígenas, de las campesinos y campesinos
• privatización y contaminación del agua y del aire
• extracción incesante de minerales y la destrucción, la apropiación y la concentración de la tierra productiva
• pérdida dramática de la biodiversidad y destrucción de los bosques
• conspiración en la destrucción de los conocimientos y métodos de producción campesina
• cambios climáticos imprevisibles que destruyen los cultivos
• pérdida del control de las semillas por los campesinos y campesinas y su apropiación por las empresas transnacionales, resultando en la pérdida de alimentos culturalmente apropiados.
• incremento de los precios de los alimentos básicos sin que ello beneficie ni a las campesinas y campesinos ni a la agricultura de pequeña escala.

La lucha contra la violencia hacia las mujeres comienza en nuestros corazones y en nuestras conciencias. Acabar con estas formas de violencia exige nuestro esfuerzo y unidad en la lucha, y nuestro compromiso en la construcción de una sociedad más justa. Aunemos nuestras voluntades para construir un mundo sin violencia, comenzando por construir una mujer nueva y un hombre nuevo.

En solidaridad, las mujeres de la VC continuaremos construyendo un mundo lleno de vida, justicia y equidad. En esta III Asamblea Internacional de las Mujeres de VC urgimos a todas las personas miembros, mujeres y hombres de todas partes del mundo, a unirse en esta lucha. Por la vida y la soberanía alimentaria, detengamos la violencia hacia las mujeres YA!

GLOBALICEMOS LA LUCHA

GLOBALICEMOS LA ESPERANZA

Maputo, Ocubre del 2008

Declaration of the Via Campesina Second Youth Assembly

Tuesday, 21 October 2008


The countryside is our life

The earth feeds us
The rivers run in our blood
We are the youth of the Via Campesina
Today we declare the beginning of a new world
We come from the four corners of the world
To stand together in the spirit of resistance
To work together to create hope
To talk together about our struggles
To learn from each others work
To be inspired by each others songs, music and stories
To build solidarity between our movements
To unite as a strong force for social change.

From here we go forward to the four corners of the world.
We carry with us a spirit of revolution,
The conviction that another world is possible,
And the dedication to fight for our way of life.
We will fight until we win, until youth all over the world
Are able to live in the countryside, as campesinos, with peace and prosperity.


When the state tries to repress us, we will unite in solidarity and continue the struggle.
When a compañera falls, we will pick her up.
When it gets cold, we will embrace each other so that the fire of our struggle will warm our hearts.
And each day we will place our bodies, our minds and our hearts on the line and fight for life, and fight for La Via Campesina

From the 16th to the 17th of October 2008, young people from more than forty countries and five continents, peasant farmers from different peoples and cultures, members of the Via Campesina, met in Maputo (Mozambique) to celebrate our second Via Campesina World Youth Assembly.

We, the Via Campesina youth present here are facing the inequalities and miseries that are taking over the world. We feel that we are the present and the future of the agricultural model that can sustain the world. However, we share common problems that are making that difficult.

The greatest of our problems is the neo-liberal, capitalist system that, with its mechanisms of repression, extortion and propaganda, has extended inequality and injustice throughout the world.

This system has imposed an industrial agriculture that is causing rural areas to be abandoned, that is causing migration between regions, and is obstructing access to land and natural resources. At the same time the system is encouraging genetically modified organisms, food insecurity and new forms of colonization such as agro-fuels… These problems particularly affect young people, women and workers.

Faced with this harsh reality, the young men and women of la Via Campesina, with strength and feeling, opt for a new social model based on food sovereignty for people through integral land reform. For this we propose:

  • Access to land and favorable agricultural policies that support the return of young people to the countryside, in order to ensure food and the future of our planet.
  • The struggle and action against the neo-liberal model, imperialism, occupying forces, free trade agreements, agricultural policies imposed by the WTO, the International Monetary Fund (IMF), the World Bank (WB), the multinationals, consumerism, genetically modified organisms and the criminalization of social organizations, and unemployment-provoked migrations.
  • Solidarity between the regions as social movements that are implementing alternative models in the face of the neo-liberal model, according to principles of complementarity and cooperation by overcome social inequality.
  • Comprehensive political training for young people. Popular education. Training in peasant farming and agro-ecology.
  • Improving communication between young people from different organizations and the creation of alternative communication networks as a political and social tool for transforming the dominant model.
  • Deepening and advancing the debate about migrations, wage laborers and the working class in general.
  • Articulating the relationships and political, social and cultural alliances between young people in the countryside and the city, with a view towards the unity of the youth of the world for .social change and winning food sovereignty.

We have created the following action plan for making these proposals real:
1. Create a provisional Youth Committee during the 5th Conference in order to make the work of coordination more dynamic.
2. To organize at least one regional youth gathering in autumn 2009.
3. To hold an international camp in the Spanish State in autumn 2009.

We are also going to work on the following aspects:

  • Encourage political and technical training in each region. Produce and distribute ideological training material linked to the Via Campesina's demands. Creating a list of schools for political training at an international level.
  • Improve communication between our organizations, create alliances with other organizations that fight for the same objectives as la Via Campesina, and open and share the content of this assembly with other friendly organizations and young people.
  • We commit ourselves to develop and strengthen our space as youth in the national, regional and international organizations of the Via Campesina, which is why we ask for incporporation of a male and female youth to serve on the ICC.
  • Organize specific actions against the neo-liberal model and in favor of food sovereignty during the coming meetings, gatherings or assemblies of the Via Campesina Youth.

For all these reasons, the youth, female and male of the Via Campesina commit ourselves to continue to struggle for food sovereignty and the rights of family farmers around the world.
As Neruda said, you can cut down the flowers, but you cannot stop spring

Alerta, alerta, alerta, que camina
la juventud en lucha de la Vía Campesina

YOUTH!!!!!!
Globalicemos la lucha, globalicemos la esperanza!!!!!
Globalize the struggle, globalise hope!!!

Déclaration de la seconde Assemblée Mondiale des Jeunes de La Vía Campesina

21-10-2008

La campagne est notre vie

La terre nous nourrit,
Les rivières coulent dans nos veines,
Nous sommes la jeunesse de Via Campesina !
Aujourd’hui, nous déclarons l’avènement d’un monde nouveau.
Nous venons des quatre coins du monde ;
Pour nous réunir dans un esprit de résistance ;
Pour travailler à la construction de l’espoir ;
Pour parler de nos luttes ;
Et apprendre aux uns le travail des autres.
Pour nous inspirer des chansons, des musiques et des histoires de chacun ;
Pour construire la solidarité entre nos mouvements ;

Nous repartirons d’ici vers les quatre coins du monde.
Nous porterons ensemble l’esprit révolutionnaire,
La conviction qu’un autre monde est possible,
L’engagement dans la lutte pour notre mode de vie.

Nous lutterons jusqu’à la victoire !
Jusqu’à ce que la jeunesse dans le monde entier
Vive dans les campagnes, en tant que paysans !
Dans la paix et la prospérité.

Quand viendra la répression, nous serons unis et solidaires !
Et nous continuerons la lutte.
Et si une camarade tombe, nous nous lèverons.
Quand il fera froid, nous nous embrasserons pour que le feu de notre lutte embrase nos cœurs ;
Chaque jour, nous mettrons nos corps, nos esprits et nos cœurs dans la tranchée
Et nous lutterons pour la vie !
Et nous lutterons pour La Via Campesina !

Du 16 au 17 octobre 2008, nous, jeunes de plus de 40 pays des 5 continents, paysans et paysannes de différents peuples et cultures membres de La Via Campesina, nous sommes réunis à Maputo (Mozambique) pour célébrer notre seconde Assemblée Mondiale des Jeunes de La Via Campesina.

Nous, jeunesse de la Via Campesina ici présente, face aux inégalités et à la misère qui progressent dans le monde, nous sommes et nous nous sentons comme le présent et le futur d’une nouvelle société qui alimente le monde. Mais nous sommes confrontés à des problèmes communs qui rendent cet objectif difficile.

Le plus grave de nos problèmes est le système capitaliste/néo-libéralisme qui, avec ses moyens de répression, d’extorsion et de propagande, a creusé les inégalités et les injustices dans le monde entier.

Ce système a imposé une agriculture productiviste qui provoque l’abandon du monde rural, les migrations entre régions et rend difficile l’accès à la terre et aux biens naturels. De plus, ce modèle encourage les OGM et la perte de la souveraineté alimentaire et impulse de nouvelles formes de colonisation comme l’agrobusiness. Ces problèmes affectent spécialement les jeunes, les femmes et la classe des travailleurs.

Face a cette terrible réalité, nous, les jeunes de la Via Campesina, avec notre énergie et notre cœur, misons sur un nouveau modèle social basé sur la souveraineté alimentaire des peuples, par le biais d’une réforme agraire intégrale.

Pour ce faire, nous proposons :

  • L’accès a la terre, avec des politiques de soutien à l’installation et au maintien des jeunes en milieu rural, afin d’assurer l’alimentation et le futur de notre planète.
  • La lutte et l’action contre le modèle néolibéral, l’impérialisme, les forces d’occupation, les accords de libre échange, les politiques agricoles imposées par l’OMC, le FMI et la Banque Mondiale, les multinationales, le consumérisme, les OGM, la criminalisation des organisations sociales et des migrations économiques.
  • La solidarité entre les régions en tant que mouvements sociaux qui développent des modèles alternatifs au système néolibéral, par le biais de principes d’intégration réciproque, de complémentarité et de coopération pour dépasser les inégalités sociales.
  • La formation politique et idéologique de la jeunesse, l’éducation populaire et la formation paysanne aux techniques d’agroécologie,
  • L’amélioration de la communication entre les jeunes, hommes et femmes de différentes organisations et cultures et création de réseaux de communications alternatifs comme instrument politique et social pour transformer le modèle dominant.
  • L’approfondissement et l’avancée du débat sur les causes des migrations et la situation de la classe des travailleurs
  • Identifier les écoles de formation politique au niveau international.
  • L’organisation des relations et des alliances politiques, sociales et culturelles entre jeunes des campagnes et des villes en vue de l’unité des jeunes du monde entier pour le changement social et la conquête de la souveraineté alimentaire.

Afin de concrétiser ces propositions, notre plan d’action est la suivant :

  • Créer une commission provisoire des jeunes durant la 5eme Conférence qui dynamise le travail ;
  • Réaliser au moins une rencontre des jeunes par région en 2009;
  • Réaliser un camp international en Espagne fin 2009

Les autres aspects sur lesquels nous travaillerons durant les quatre ans à venir sont :

  • Développer la formation politico-idéologique et technique au sein de chaque région. Elaborer et mutualiser le matériel de formation idéologique lié aux revendications de La Via Campesina. Elaborer une liste des écoles de formation politique au plan international ;
  • Mettre en place et améliorer la communication entre nos organisations, créer des alliances avec d’autres organisations qui luttent pour des objectifs similaires à ceux de La Via Campesina et partager et mutualiser les contenus de cette assemblée avec d’autres organisations amies et d’autres jeunes ;
  • Nous nous engageons à construire, développer et renforcer l’espace consacré aux jeunes dans les organisations nationales, régionales et internationales de La Via Campesina. C’est pourquoi nous demandons l’incorporation de deux jeunes, une femme et un homme, au sein du CCI ;
  • Organiser des actions concrètes contre le modèle néolibéral et en faveur de la souveraineté alimentaire au cours de nos prochaines réunions, rencontres ou assemblées de jeunes de La Via Campesina.


C’est pourquoi nous, jeunes hommes et jeunes femmes de La Via Campesina, nous engageons à continuer la lutte pour la souveraineté alimentaire et pour les droits des paysannes et des paysans du monde entier.

Comme l’a dit Neruda, ils pourront couper les fleurs mais ils n’empêcheront pas le printemps.

Alerte, alerte, alerte, et en marche

La Jeunesse en Lutte de la Via Campesina.


JEUNESSE !!!!

Globalisons la Lutte, Globalisons l’espérance.

Declaração da Segunda Assembléia de Jovens da Via Campesina



terça-feira 21 de Outubro de 2008

O Campo é nossa vida Terra que nos alimenta Rios que correm em nosso sangue. Somos a juventude da Via Campesina! Hoje declaramos o começo de um novo mundo. Viemos dos quatro cantos do mundo; Para nos unirmos no espírito da resistência; Para trabalharmos na construção da esperança; Para falarmos de nossas lutas; E aprender uns com o trabalho dos outros. Para nos inspirarmos pelas as canções de cada um, músicas e estorias; Para construirmos solidariedade entre nossos movimentos; Para unirmos como força poderosa por mudança social;

Daqui voltaremos para os quatro cantos do mundo. Levaremos junto o revolucionário espirito, a convicção de um outro mundo possível, a dedicação da luta por nosso modo de viver.

Lutaremos até a vitória! Até que a juventude em todo o mundo vivam no campo, como camponeses! Com paz e prosperidade.

Quando a repressão vier, estaremos unidos em solidariedade! E prosseguindo com a luta. Quando uma companheira cair, levantamos. Quando esfriar, nos abraçaremos para que o fogo de nossa luta abrase nossos corações. Cada dia colocar nossos corpos, nossos pensamentos, nossos corações na trincheira E lutar pela vida! E lutar pela Via Campesina!

Entre os dias 16 e 17 de Outubro de 2008, nós, jovens de mais de quarenta países dos cinco continentes, camponeses e camponesas de diferentes povos e culturas que pertencem à Via Campesina, nos reunimos em Maputo (Moçambique) para realizar nossa II Assembléia Mundial de Jovens da Via Campesina.

A juventude da Via Campesina aqui presente, ante as desigualdades e misérias que tomam conta do mundo, somos e nos sentimos o presente e o futuro de uma nova sociedade que sustenta o mundo. Mas temos problemas comuns que o dificultam.

O maior de nossos problemas é o sistema capitalista/neoliberal que, com seus meios de repressão, extorsão e propaganda, espalhou a desigualdade e injustiças por todo o mundo.

Este sistema impôs uma agricultura produtivista que provoca o abandono do meio rural, migrações entre regiões, dificulta o acesso à terra e aos bens naturais e fomenta os transgênicos, a perda da Soberania Alimentar e impulsiona novas formas de colonização como os agronegócios . Estes problemas, afetam de maneira especial a jovens, mulheres e a classe tarbalhadora.

Ante essa cruel realidade, as e os jovens da Via Campesina, com força e sentimento, apostamos por um novo modelo social baseado na Soberania Alimentar dos povos mediante a Reforma Agrária Integral. E pars isso propomos:

- Acesso à terra, com políticas de apoio para o retorno e o estabelecimento da Juventude no campo, para assegurar a alimentação e o futuro de nosso planeta.

- Luta e ação contra o modelo neoliberal, o imperialismo, as forças de ocupação, os tratados de livre comércio, as políticas agrícolas impostas pela OMC, o FMI, as multinacionais, o consumismo, os organismos geneticamente modificados, a criminalização dos movimentos sociais e a migrações de trabalhadores e trabalhadoras.

- Solidariedade entre as regiões como movimentos sociais que estão levando a cabo modelos alternativos frente ao sistema neoliberal, mediante princípios de integração com reciprocidade, complementariedade y cooperação para superar las desigualdades sociais.

- Formação política e ideológica integral da juventude. Educação popular. Formação camponesa em técnicas agroecológicas.

- Melhora de la comunicação entre as e os jovens das diferentes organizações e culturas e criação de redes de comunicação alternativas como instrumento político e social para transformar o modelo que atualmente impera.

- Aprofundamento e avanço no debate das causas das migrações e situação da classe trabalhadora.

- Articulação de relaciones e alianças políticas, sociais e culturais entre jovens do campo e da cidade visando a unidade dos jovens do mundo para a mudança social e a conquista da Soberania Alimentar.

Para materializar estas propostas, nosso plano de ação é o seguinte: 1. Criar uma comissão provisória de jovens durante a V Conferencia para dinamizar o trabalho de coordenação. 2. Realizar ao menos um encontro de jovens por regiões em 2009 3. Realizar um acampamento internacional na Espanha no final de 2009.

Outros aspectos que trabalharemos nos próximos quatro anos: - Fomentar la formação político-ideológica e técnica em cada região. Elaborar e socializar materiais formativos ideológicos ligados às reivindicações da Via Campesina. Elaboração de una lista de escolas de formação política em nível internacional

- Criar y melhorar la comunicação entre nossas organizações, criar alianças com outras organizações que lutem por objetivos similares aos da Via campesina e abrir e socializar os conteúdos de esta assembléia a outras organizações amigas e pessoas jovens.

- Nos comprometemos a construir, desenvolver e fortalecer nosso espaço como jovens nas organizações nacionais, regionais e internacionais da Via Campesina, pelo que pedimos a incorporação de dois jovens, um homem e uma mulher na Comissão Coordenadora Internacional (CCI).

- Organizar ações concretas contra o modelo neoliberal e em prol da Soberania Alimentar nas nossas próximas reuniões, encontros ou assembléias de jovens da Via Campesina

Por tudo isto, as jovens e os jovens da Via Campesina nos comprometemos a continuar a luta pela Soberania Alimentaria e pelos direitos das camponesas e camponeses de todo o mundo. Como disse Neruda, poderão cortar as flores pero no poderão deter a primavera!

Alerta, alerta, alerta, que caminha a juventude na luta da Via Campesina

JUVENTUDE!!!!!! Globalizemos a luta, globalizemos a esperança!!!!!


Declaration of the Via Campesina Second Youth Assembly

Tuesday, 21 October 2008


The countryside is our life
The earth feeds us
The rivers run in our blood
We are the youth of the Via Campesina
Today we declare the beginning of a new world
We come from the four corners of the world
To stand together in the spirit of resistance
To work together to create hope
To talk together about our struggles
To learn from each others work
To be inspired by each others songs, music and stories
To build solidarity between our movements
To unite as a strong force for social change.

From here we go forward to the four corners of the world.
We carry with us a spirit of revolution,
The conviction that another world is possible,
And the dedication to fight for our way of life.
We will fight until we win, until youth all over the world
Are able to live in the countryside, as campesinos, with peace and prosperity.


When the state tries to repress us, we will unite in solidarity and continue the struggle.
When a compañera falls, we will pick her up.
When it gets cold, we will embrace each other so that the fire of our struggle will warm our hearts.
And each day we will place our bodies, our minds and our hearts on the line and fight for life, and fight for La Via Campesina

From the 16th to the 17th of October 2008, young people from more than forty countries and five continents, peasant farmers from different peoples and cultures, members of the Via Campesina, met in Maputo (Mozambique) to celebrate our second Via Campesina World Youth Assembly.

We, the Via Campesina youth present here are facing the inequalities and miseries that are taking over the world. We feel that we are the present and the future of the agricultural model that can sustain the world. However, we share common problems that are making that difficult.

The greatest of our problems is the neo-liberal, capitalist system that, with its mechanisms of repression, extortion and propaganda, has extended inequality and injustice throughout the world.

This system has imposed an industrial agriculture that is causing rural areas to be abandoned, that is causing migration between regions, and is obstructing access to land and natural resources. At the same time the system is encouraging genetically modified organisms, food insecurity and new forms of colonization such as agro-fuels… These problems particularly affect young people, women and workers.

Faced with this harsh reality, the young men and women of la Via Campesina, with strength and feeling, opt for a new social model based on food sovereignty for people through integral land reform. For this we propose:

  • Access to land and favorable agricultural policies that support the return of young people to the countryside, in order to ensure food and the future of our planet.
  • The struggle and action against the neo-liberal model, imperialism, occupying forces, free trade agreements, agricultural policies imposed by the WTO, the International Monetary Fund (IMF), the World Bank (WB), the multinationals, consumerism, genetically modified organisms and the criminalization of social organizations, and unemployment-provoked migrations.
  • Solidarity between the regions as social movements that are implementing alternative models in the face of the neo-liberal model, according to principles of complementarity and cooperation by overcome social inequality.
  • Comprehensive political training for young people. Popular education. Training in peasant farming and agro-ecology.
  • Improving communication between young people from different organizations and the creation of alternative communication networks as a political and social tool for transforming the dominant model.
  • Deepening and advancing the debate about migrations, wage laborers and the working class in general.
  • Articulating the relationships and political, social and cultural alliances between young people in the countryside and the city, with a view towards the unity of the youth of the world for .social change and winning food sovereignty.

We have created the following action plan for making these proposals real:
1. Create a provisional Youth Committee during the 5th Conference in order to make the work of coordination more dynamic.
2. To organize at least one regional youth gathering in autumn 2009.
3. To hold an international camp in the Spanish State in autumn 2009.

We are also going to work on the following aspects:

  • Encourage political and technical training in each region. Produce and distribute ideological training material linked to the Via Campesina's demands. Creating a list of schools for political training at an international level.
  • Improve communication between our organizations, create alliances with other organizations that fight for the same objectives as la Via Campesina, and open and share the content of this assembly with other friendly organizations and young people.
  • We commit ourselves to develop and strengthen our space as youth in the national, regional and international organizations of the Via Campesina, which is why we ask for incporporation of a male and female youth to serve on the ICC.
  • Organize specific actions against the neo-liberal model and in favor of food sovereignty during the coming meetings, gatherings or assemblies of the Via Campesina Youth.

For all these reasons, the youth, female and male of the Via Campesina commit ourselves to continue to struggle for food sovereignty and the rights of family farmers around the world.
As Neruda said, you can cut down the flowers, but you cannot stop spring

Alerta, alerta, alerta, que camina
la juventud en lucha de la Vía Campesina

YOUTH!!!!!!
Globalicemos la lucha, globalicemos la esperanza!!!!!
Globalize the struggle, globalise hope!!!